Bate-papo aproxima gerações da advocacia em Itapemirim

Encontro da 10ª Subseção da OAB-ES promoveu diálogo sobre tecnologia, integração e os desafios da advocacia contemporânea

A troca de experiências entre diferentes gerações de advogados e advogadas foi o eixo central do Bate-Papo da Advocacia, promovido pela 10ª Subseção da OAB-ES na tarde desta quinta-feira (6), na sede da Subseção, em Itapemirim. Integrando a programação do Mês da Advocacia, o encontro reuniu profissionais em diferentes momentos da carreira para discutir as transformações da profissão, fortalecer vínculos institucionais e ampliar o diálogo sobre os desafios impostos pela rápida evolução tecnológica.

Conduzido pelo conselheiro da 10ª Subseção, o advogado Lauro Vianna Chaves Junior, e pelo presidente da Comissão de Tecnologia da Subseção e membro da Comissão Especial do Tribunal do Júri do Conselho Federal da OAB, o advogado Robson Laurindo de Freitas, o encontro foi estruturado como uma conversa aberta entre colegas de profissão. O formato privilegiou a participação espontânea dos presentes e permitiu que experiências profissionais acumuladas ao longo de décadas fossem compartilhadas e colocadas em diálogo com as novas realidades vividas pela jovem advocacia.

Ao longo da programação, advogados mais experientes relembraram um período em que a rotina forense era predominantemente presencial e baseada em processos físicos, circunstância que favorecia o contato diário entre magistrados, membros do Ministério Público, servidores e profissionais da advocacia. Em contrapartida, os participantes que ingressaram recentemente na profissão relataram uma realidade marcada pelo processo judicial eletrônico, pela comunicação digital e pelo uso crescente de ferramentas de inteligência artificial na elaboração de pesquisas, peças processuais e estratégias jurídicas.

As discussões também abordaram um dos temas mais presentes no cotidiano da advocacia brasileira. Os participantes reconheceram que a transformação digital trouxe ganhos expressivos de produtividade, celeridade e acesso à informação. Ao mesmo tempo, observaram que a virtualização dos serviços judiciais reduziu oportunidades de convivência profissional que, historicamente, contribuíam para a formação de redes de relacionamento, para o intercâmbio de conhecimento e para a construção de soluções consensuais entre operadores do Direito.

A inteligência artificial ocupou espaço relevante no debate. Foram discutidas suas aplicações práticas na atividade jurídica, o potencial para ampliar a eficiência dos escritórios e o impacto sobre a forma de exercer a advocacia. Ao lado das oportunidades, surgiram reflexões sobre responsabilidade profissional, critérios éticos e a necessidade de preservar o protagonismo humano na tomada de decisões jurídicas, especialmente em atividades que exigem sensibilidade, interpretação e relacionamento com clientes.

Além do conteúdo técnico, o encontro cumpriu um importante propósito institucional ao proporcionar momentos de integração entre profissionais de diferentes municípios da área de abrangência da 10ª Subseção, responsável pela representação da advocacia de Itapemirim, Piúma, Marataízes, Iconha, Rio Novo do Sul e Presidente Kennedy. Em um cenário de crescente digitalização das relações profissionais, iniciativas como essa reforçam o papel da Ordem como espaço de convivência, atualização permanente e fortalecimento da classe.

Entre os momentos mais marcantes da tarde esteve a chamada “Dinâmica da Pedra”. Entre os brindes distribuídos aos participantes, um deles continha uma pedra. O advogado contemplado compartilhou um episódio marcante de sua trajetória profissional e, ao final da atividade, foi apresentada uma reflexão sobre a capacidade de transformar dificuldades em aprendizado, crescimento e fortalecimento pessoal. A dinâmica conferiu ao encontro uma dimensão humana que dialogou diretamente com os desafios cotidianos enfrentados pela advocacia.

Para o conselheiro Lauro Vianna Chaves Junior, a proposta do encontro demonstrou que a advocacia se fortalece quando diferentes experiências profissionais são colocadas em diálogo. Segundo ele, aproximar gerações significa preservar a memória institucional da profissão e, ao mesmo tempo, criar um ambiente favorável para compreender as mudanças tecnológicas e preparar a classe para os desafios que já fazem parte da realidade dos escritórios e dos tribunais.

“A advocacia evolui quando consegue unir a experiência de quem ajudou a construir essa trajetória com a visão inovadora das novas gerações. Esse diálogo fortalece a profissão, amplia nossa capacidade de adaptação e preserva valores que permanecem indispensáveis ao exercício da advocacia”, afirmou o conselheiro.  

Na avaliação do advogado Robson Laurindo de Freitas, a tecnologia deve ser compreendida como um instrumento de aprimoramento da atividade profissional, sem afastar a dimensão humana que caracteriza a advocacia. Segundo ele, inteligência artificial, automação e ferramentas digitais tendem a ocupar espaço cada vez maior na rotina dos profissionais, mas continuarão exigindo preparo técnico, responsabilidade ética e atualização permanente.

“A inovação tecnológica amplia nossas possibilidades de atuação, porém jamais substitui o raciocínio jurídico, a ética e a sensibilidade que caracterizam o trabalho do advogado. Precisamos estar preparados para utilizar essas ferramentas com responsabilidade, transformando a tecnologia em aliada da boa advocacia”, declarou Robson Laurindo.

O Bate-Papo da Advocacia encerrou a tarde reafirmando uma diretriz que tem orientado as ações institucionais da 10ª Subseção durante o Mês da Advocacia. Mais do que promover eventos comemorativos, a Subseção busca criar espaços permanentes de participação, integração e capacitação, capazes de aproximar profissionais de diferentes perfis e consolidar uma advocacia preparada para responder às transformações da Justiça e da sociedade. Nesse contexto, a iniciativa representa mais um passo na consolidação de uma atuação institucional voltada ao fortalecimento da classe e ao desenvolvimento da advocacia nos seis municípios atendidos pela Subseção.